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Serra do Tepequém, do bruto à pedra lapidada

Por Raustmann Gondim
Fotos: Feutmann Gondim

A Serra do Tepequém, no município do Amajari, registrou nos últimos sete anos um crescimento vertiginoso no número de turistas em busca de diversão e belezas naturais. O local já abrigou mais de cinco mil garimpeiros nas décadas de 60, 70 e 80, mas hoje, vive dias de rápida expansão setor de turismo.

foto1Foto1 – Imensos “poções” foram abertos durante a busca desenfreada por ouro e diamantes. Abandonados, os poços acabaram acumulando água. Alguns deles foram usados para a prática da piscicultura, mas o projeto se tornou inviável. Hoje, apenas um deles é usado para banho pelos turistas e moradores da comunidade, o Poço Azul.

 

Depois de viver anos sob o forte impacto ambiental da extração de minérios, ouro e diamantes, os moradores da Serra do Tepequém, viram o potencial do local se revelar para o turismo, como um diamante se revela na visão embaçada do velho garimpeiro.

Localizada a 210 km de Boa Vista, pela BR-174, sentido Norte, e RR-203, a Serra do Tepequém se transformou num dos principais pontos turísticos do Estado de Roraima, recebendo mais de 20 mil visitantes por ano, vindos dos mais variados pontos do Brasil e até mesmo do exterior.

Partindo de Boa Vista para a Vila do Paiva, principal reduto dos moradores da região, são aproximadamente 2h30 de viagem de carro. A estrada é toda asfaltada e possui ótima sinalização principalmente nos 20 km finais do trajeto. Esse trecho exige atenção redobrada dos motoristas, porque é feito em aclive e com inúmeras curvas fechadas.

Hoje, a Vila do Paiva é onde está concentrada a grande maioria dos moradores, muitos remanescentes das famílias dos velhos garimpeiros que ocuparam a região. Mas não foi sempre assim. Nos tempos áureos do garimpo, a maior parte da população se concentrava na Vila Cabo Sobral, também chamada de “Currutela”.

Foto2 - A Vila do Paiva recebe milhares de turistas durante o ano. Tranquilidade e hospitalidade tomam conta do local durante a semana e aos finais de semana quando não são feriados. Nesses dias, a vida da população local se transformação com a chegada de dezenas de turistas.  

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Naquela época, a Vila Cabo Sobral abrigava mais de 5 mil pessoas. Existiam comércios para atender os garimpeiros, boates, destacamento da Polícia Militar, escola, posto de saúde, entre outros serviços. Hoje não há praticamente mais nada no local. As antigas casas feitas de “taipa” – mistura de argila, cascalho e um trançado de madeira – foram todas destruídas pela ação do tempo e de vândalos. Do destacamento da Polícia Militar, a única coisa que restou, foi uma placa enferrujada que permanecia jogada no chão até bem pouco tempo. A escola ainda segue de pé.

Poucas pessoas moram na Vila Cabo Sobral. A grande maioria passou a ocupar o local após a especulação turística da região e o comércio ilegal de terrenos. Nesta região, a única exceção é a “Fazendo do seu Saraiva”, morador tradicional do local.

Foto3 – Algumas residências da época do garimpo na Vila do Paiva ainda resistem à ação do tempo.

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VILA DO PAIVA

A Vila do Paiva é onde ocorre a maior movimentação na Serra do Tepequém. Lá vivem em torno de 200 famílias. A grande maioria trabalha no serviço público, outra boa parte vive apenas do turismo como pequenos empresários ou funcionários nas pousadas, restaurantes e comércios locais.

Foto4: Moradores da Serra do Tepequém aproveitam o fim de tarde para jogar uma bolinha no campo de terra batida. Ao fundo a visão da Serra do Tepequém, onde se encontra o ponto mais alto, o platô com aproximadamente 1100 metros de altitude.

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Com o crescimento do turismo na região, a Vila que até bem pouco tempo era pacata e hospitaleira com os poucos aventureiros que se arriscaram, ganhou novos rumos e hoje é ocupada por um grande número de residências. Mesmo enfrentando alguns problemas de estrutura, a Serra do Tepequém, ainda é o local mais propício em Roraima, para uma fugida aos finais de semana.

Durante o verão, o local apresenta temperaturas elevadas durante o dia que convidam para banhos refrescantes nas cachoeiras do Paiva, Funil, Barata e Cabo Sobral. À noite, o clima fica relativamente ameno, chegando facilmente aos 20º.

Foto5 – A Cachoeira do Paiva é um dos pontos mais visitados pelo turista. O acesso que antes era feito por uma descida pelo meio da mata, agora é através de uma escada de madeira, que exige muito fôlego de quem se aventura.

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No inverno, a Serra muda completamente, o que deixa o local ainda mais romântico. A altitude proporciona uma visão espetacular durante as primeiras horas da manhã e no final da tarde, quando intensas neblinas tomam de conta do local.

Foto6: Em razão da altitude, durante o inverno que vai de maio a agosto, a Serra do Tepequém convive diariamente com chuvas, baixa temperatura e muita neblina nas primeiras horas da manhã e no final da tarde. Esse clima tem atraído à atenção dos casais no Dia dos Namorados.

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Quem pretende se aventurar no Tepequém precisa viajar prevenido. O local ainda não dispõe de serviço de telefonia móvel, posto de combustível e caixas eletrônicos. Por outro lado, as pousadas são aconchegantes, e os restaurantes servem uma comida deliciosa, com destaque para a galinha caipira da região.

Foto7 – A Serra do Tepequém possui pousadas, restaurantes e pequenos comércios que atendem os turistas principalmente aos finais de semana.

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Quem mora em Boa Vista não pode deixar de conhecer a Serra do Tepequém, e quem está de passagem por Roraima, não conhecerá o estado por completo se não visitar um dos seus principais pontos turísticos.